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O Profissional

 

PROFISSÃO PAISAGISTA - Reflexões e caminhos para a Qualidade, Reconhecimento e Regulamentação Profissional

Atualmente, no Brasil, inúmeros profissionais se apresentam como paisagistas. O mercado, a sociedade e os conselhos profissionais não tem clareza acerca da qualificação e das atribuições deste profissional.

O paisagista tem por atribuição realizar projetos de espaços livres de edificação em suas variadas escalas , desde um jardim a um parque, até a escala da paisagem.

Estas atribuições, especialmente em um país como o nosso, encerram responsabilidades sociais, ambientais, urbanistas, culturais e profissionais de graves e, muitas vezes, irreversíveis conseqüências.

Esses projetos, por sua escala e natureza, demandam o domínio de um amplo arsenal de conhecimentos:

Atualmente, nem as faculdades de arquitetura nem as de agronomia tem garantido a formação necessária para o exercício profissional dessas atribuições.

O estabelecimento do campo do saber paisagístico nos cursos de arquitetura data do início da década de 50 na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo. A obrigatoriedade, porém, de sua inclusão nos cursos em nível nacional, somente se concretizou em 1.994,e mesmo assim, o processo de inclusão do estudo do paisagismo em muitas faculdades de arquitetura ainda é muito incipiente.

A reforma curricular em 1.984 estabeleceu a obrigatoriedade do paisagismo como disciplina no currículo dos cursos de agronomia. Em diversas faculdades o assunto já era abordado desde a década de 70, mas sempre em caráter de disciplina optativa.

Nos últimos 20 anos assistiu-se a uma multiplicação do número de cursos de paisagismo de curta duração, para os quais não há qualquer tipo de padronização de conteúdo ou aferição de qualidade. Daí sua denominação comum de “Cursos Livres”. Estes cursos lançaram grande número de pessoas no mercado de trabalho, muitas das quais carecem de melhor qualificação.

Hoje, com a organização dos cursos de nível técnico, de especialização (pós graduação lato sensu), de habilitação, além das primeiras iniciativas em graduação, caracteriza-se um esforço de capacitação dos profissionais em atividade e dos estudantes que pretendem atuar na área de paisagismo.

Dada a ampla gama de conhecimentos necessários para o exercício pleno da profissão e dadas as grandes responsabilidades em questão, cabe perguntar:

— algum dos cursos existentes – arquitetura, agronomia, engenharia florestal, está de fato qualificando adequadamente o profissional capaz de oferecer as respostas que a sociedade espera?

— os conselhos profissionais – CREAS – ou as associações profissionais existentes – ABAP, ANP, associações regionais, estão fiscalizando ou garantindo a competência dos profissionais que atuam hoje no mercado?

— qual o fórum adequado para o debate e enfrentamento desde desafio?
- o ENEPEA
- o CONFEA
- o CREA?

Existem interesses que poderão determinar os rumos deste debate:

Estas questões foram levadas pela ANP – Associação Nacional de Paisagismo para discussão no 7° ENEPEA – Encontro Nacional de Ensino de Paisagismo nas Escolas de Arquitetura, ocorrido em Belo Horizonte de 09 a 12 de junho de 2004, e onde encontramos forte resistência em tratar do assunto por parte de alguns arquitetos, que lutam pela reserva de mercado para os formados em arquitetura, e apoios velados por parte de outros que ainda hesitam em reconhecer a urgência na solução do tema. Saímos encorajados, no entanto, ao constatar que as escolas de arquitetura reconhecem sua insuficiência atual no ensino paisagístico.

Nossa luta foi ampliada a partir do 7º Congresso de Paisagismo, realizado pela ANP em setembro de 2003, no Instituto de Engenharia em São Paulo, onde se deliberou pela atuação entre os diversos atores da cadeia do paisagismo em 3 linhas de ação :

QUALIDADE da atividade do Paisagismo, quer na formação profissional, quer no resultado apresentado.

RECONHECIMENTO profissional – campanha de esclarecimento junto ao mercado: o que é paisagismo, quem é o profissional paisagista.

REGULAMENTAÇÃO da profissão – melhor definição junto ao CREA sobre as atribuições do profissional paisagista.

Como propostas concretas temos:

a) FORMAÇÃO: Incentivar, apoiar e trabalhar pela oferta com qualidade de:

b) REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO:

c) TRANSIÇÃO E FISCALIZAÇÃO:

As propostas acima apresentadas são o resultado do trabalho de uma comissão formada a partir do 7° Congresso de Paisagismo, promovido pela ANP, e que tem como membros:

Annamaria Cavallari - ANP – Associação Nacional de Paisagismo

Elza Ayrosa - ANP – Associação Nacional de Paisagismo

Maria Cecília Capobianco - ANP – Associação Nacional de Paisagismo

Celso Bergamasco - ANP – Associação Nacional de Paisagismo

Maria de Fátima Lima - ASPA–MG–Ass. dos Prof. de Paisagismo de MG

Jane Pilotto - Núcleo de Paisagismo da Ass. Com. Florianópolis

Gilberto Matter - Apaflor – Ass. Paranaense de Floricultura

Affonzo Zuin - Prof. da Universidade Federal de Viçosa

Fabio Gonçalves - Prof. da Fac. de Arquitetura e Urbanismo da USP

Fabio Feldman - Ambientalista, ex- deputado federal, ex- secretário do meio ambiente de S. Paulo.